| Petrobrás, retrato do Brasil Vitorioso |
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| 30-Jul-2010 | |
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Por Delúbio Soares(*)
Os brasileiros construíram ao longo de
mais de meio século uma das maiores empresas do mundo. Em verdade, foi
bem mais que isso. Nosso povo acreditou em seu próprio país,
recusando-se a aceitar a balela de que estaria fadado a uma eterna
dependência externa, buscando sua auto-suficiência energética em nosso
riquíssimo território. Hoje aquele entusiasmo cívico, impulsionado por
um misto de teimosia juvenil com coragem desassombrada, que tomou as
ruas, encheu praças, levantou os quartéis e as universidades ao mesmo
tempo, uniu civis e militares, mostrou a face nacionalista de nossa
gente, é traduzida em realização, trabalho e sucesso.
A
Petrobrás é fruto do que de melhor o povo brasileiro possui em sua
formação. Ela traduz, em sua trajetória de sucesso e conquistas, a
imagem de um povo guerreiro e vencedor. Ela nasceu de um movimento
cívico que uniu o país em torno do Estadista Getúlio Vargas, que
enfrentou poderosos interesses internacionais e, num dos maiores
momentos de toda nossa história, criou a que hoje é, de longe, a maior
empresa brasileira, a maior empresa da América Latina, a quarta maior
empresa de energia do mundo e a oitava maior empresa por valor de
mercado de todo o mundo.
Poucos
antes que Getúlio criasse a Petrobrás, um célebre engenheiro
norte-americano, Mister Link, chamado ao Brasil pela UDN (os tucanos da
época), apresentou uma série de quatro pareceres onde “provava” por a +
b, com farta argumentação e recheando com números e cálculos a sua
pantomima, que “no Brasil não há Petróleo”. A imprensa da época
dedicou-lhe manchetes e abriu espaços para entrevistas e Mister Link
virou figurinha carimbada, tal qual uma trombeta do apocalipse,
acolitado por maus brasileiros e sendo usado para que nos
conformássemos com nossa suposta pobreza de recursos minerais. O
“Relatório Link” foi brandido e usado como o grande argumento contra
Getúlio e os defensores da Petrobrás, que estariam gastando dinheiro
público, perdendo tempo, fazendo baderna, utilizando-se da questão
petrolífera como trampolim eleitoral através da histórica campanha de
“O petróleo é nosso”, etc...
Desde
os anos 30, como um profeta pregando no deserto, o genial escritor
Monteiro Lobato, uma das grandes figuras de nossa literatura e de nossa
história, empreendeu por conta própria uma campanha em favor do
petróleo, onde garantia exatamente o oposto do que anos depois o
mentiroso engenheiro norte-americano tentaria nos impingir como verdade
absoluta. Nessa cruzada quase solitária, quando o petróleo era um tema
distante e pouco conhecido naquele Brasil ainda rural, Monteiro Lobato
perdeu a saúde e ficou pobre, gastando a maior parte de seus direitos
autorais no financiamento das atividades em defesa de um sonho. Mas o
que seriam dos povos se não fossem os sonhadores? O primeiro poço de
petróleo, no recôncavo baiano, recebeu o nome do notável escritor e
patriota, e ali jorrava não só o óleo negro e viscoso, mas a prova
monumental de que Dona Benta, o Marques de Sabugosa e Emília eram obra
da imaginação e do talento do escritor, mas o petróleo era realidade
antevista pelo visionário.
De
sua criação até os dias de hoje a Petrobrás tem sido um motor do
desenvolvimento nacional. Empresa que jamais faltou aos brasileiros,
não regrediu, sempre avançando, sempre se aprimorando, sempre dando o
melhor de si para estar à frente de seu tempo e vencer o desafio de
nossa auto-suficiência petrolífera. E vencemos. Esmerou-se por formar
quadros do mais alto nível, de qualificação impecável, insuperáveis até
mesmo em suas maiores concorrentes internacionais, tendo hoje pessoal
formado dentro das mais estritas normas técnicas e operacionais, tendo
pessoal que a gerencia e que toca adiante a empresa que leva o Brasil
em seu nome. É bem verdade, que no governo FHC, no pior momento da
história da Petrobrás, quando a empresa experimentou prejuízos nunca
dantes experimentados, chocou-se com o afundamento trágico da
plataforma P-36 e a perda de valorosos funcionários, aquele governo do
PSDB determinou que o nome da empresa fosse mudado para “PETROBRAX”, o
que seria o primeiro passo para a sua danosa venda. A reação dos
brasileiros foi tamanha, que o absurdo acabou por não se consumar,
apesar de todo o empenho do governo de então.
Com
a posse do presidente Lula e a nova política para o setor energético, a
Petrobrás alicerçou sua gestão em novos paradigmas, como o aumento da
produção e a manutenção dos preços, além de reforçar sua sólida
presença nos 28 países onde atua. A crise mundial de fins de 2008, não
só não afetou a performance de nossa maior empresa como, depois dela, a
tivemos ultrapassando outras gigantes como a mexicana PEMEX e a
venezuelana PDVSA, cujos países, inclusive, são tradicionais produtores
e membros da OPEP.
A
importância da Petrobrás pode ser medida não só por seu papel histórico
em nosso desenvolvimento e pelo carinho que todo brasileiro sente por
esse patrimônio que é nosso e tanta luta nos custou, mas por números
que traduzem o grau de presença em nossa vida nacional: o investimento
da empresa no período 2010/2014 será de US$ 224 bilhões. Num cálculo
interessantíssimo, a excelente revista América Economia, chegou aos US$
28,4 mil a cada vinte segundos!
Com
o pré-sal, a imensa reserva cuja exploração foi impulsionada pela firme
decisão do presidente Lula e teve resposta imediata no entusiasmo da
Petrobrás e do seu brilhante pessoal, nossa estatal petrolífera viverá
um ciclo que poderá fazer dela, dentro de poucas décadas, talvez a
maior empresa de energia do planeta. É um desafio e devemos aceitá-lo
com a certeza de que podemos vencê-lo.
A
produção da Petrobrás chegará aos cinco milhões de barris diários em
2014, em estimativa conservadora de sua diretoria. Em 2009, o
crescimento foi de 5%, considerado excelente no mercado internacional.
Desde
que o governo Lula conseguiu reerguer a empresa seriamente prejudicada
pelos descaminhos da gestão anterior, a Petrobrás tem dado mostras de
que é a mesma empresa que brotou do coração dos brasileiros e por eles
trabalha. Os brasileiros, conscientizados pelo inesquecível Monteiro
Lobato, tiveram em Getúlio o criador da Petrobrás, com coragem e
descortino. Agora tem Lula o seu consolidador, quem com firmeza e
competência vem dando-lhe a musculatura de grande, moderna e vitoriosa
empresa brasileira do século XXI.
(*) Delúbio Soares é Professor. Fonte: www.delubio.com.br |
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