| TST manda indenizar trabalhador que era obrigado a ficar nu para vigilância |
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| 30-Jul-2010 | |
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A Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) garantiu a um trabalhador
o pagamento de indenização por danos morais no valor de dez salários
(aproximadamente sete mil reais) pelo fato de ter sido obrigado a ficar nu
diante de vigilantes das empresas para as quais prestava serviços e,
eventualmente, até na frente de colegas. A decisão foi unânime e fundamentada em
voto relatado pela ministra Kátia Magalhães Arruda.
No entendimento da relatora, a violação da intimidade da pessoa não pressupõe
necessariamente o contato físico entre empregado e supervisor. A revista visual,
em que o trabalhador é constrangido a exibir seu corpo nu ou em peças íntimas, é
suficiente para configurar o ato abusivo. No caso, mais constrangedor ainda,
afirmou a ministra, quando a revista era realizada na presença de outros
empregados.
Assim, embora as empresas do mesmo grupo e para as quais o trabalhador prestava serviços indistintamente (Transpev - Transportes de Valores e Segurança e Prosegur Brasil - Transportadora de Valores e Segurança) tenham argumentado que não houve excesso nas revistas, na medida em que não ocorria contato físico entre os envolvidos, a relatora considerou que as regras de convivência social e a ordem jurídica foram desrespeitadas. O Tribunal do Trabalho mineiro (3ª Região) tinha reformado a sentença de primeiro grau para excluir da condenação o pagamento da indenização por danos morais ao empregado. No TRT, prevaleceu a tese de que, como ele foi contratado em julho/1998, e somente no momento da dispensa, em abril/2005 (quando já não existiam mais as tais revistas) reclamou do vexame a que era submetido, não era razoável o pedido de indenização após ter ficado em silêncio sobre o assunto por tantos anos. No entanto, segundo a ministra a Kátia, o silêncio do empregado se justifica pelo temor de provocar a própria demissão. Logo, ao contrário da conclusão do TRT, o fato de a reclamação trabalhista ter sido apresentada após o rompimento do contrato não afasta a caracterização do dano moral. A relatora ainda destacou que não se exige prova do dano moral, mas sim do fato que gerou a dor e o sofrimento da vítima - o que foi feito, na hipótese. Então, considerando o dano, a repercussão da ofensa na vida do profissional e a condição econômica dos envolvidos, a relatora arbitrou o valor da indenização em sete mil reais, equivalente a dez salários recebidos pelo trabalhador. O caráter pedagógico da indenização não foi observado porque a revista íntima não é mais adotada pelas empresas, que passaram a utilizar sistema de vigilância por meio de câmeras. (RR- 163400-87.2005.5.03.0106) Fonte: TST |
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